Depois de quase 3 meses em tratamento contra anorexia nervosa no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo , Aline Alves da Silveira Souza, de 34 anos, que chegou a pesar 24 quilos distribuídos em 1,56 metro, deixou Bauru (SP) para morar com a mãe em Petrópolis , no Rio de Janeiro . A ex-gerente de restaurante ganhou 18 quilos durante a internação.
Ela embarcou no ônibus na noite de quinta-feira
No começo da noite de quinta-feira (13), no terminal rodoviário da cidade, a despedida dos familiares foi marcada por muita emoção e lágrimas. Com nove malas no bagageiro do ônibus, Aline viajou com a filha, Isabela, de 12 anos. Após mais de 10 horas, as duas respiraram novos ares na manhã desta sexta-feira (14) na casa da mãe, Teresa.
"Deixo metade do meu coração em Bauru, cidade que eu adoro. Mas agora é [hora de] dar continuidade à minha recuperação ao lado da minha mãe, que sempre me apoiou. Estou triste por deixar Bauru, mas me sentindo muito bem por estar a cada dia melhor", disse Aline.
Antes de ser internada no HC, a ex-gerente iniciou sua luta contra a anorexia no dia 9 de outubro de 2013, quando passou 17 dias na Santa Casa de Piratininga, também no interior de São Paulo. No fim do ano, ela recebeu "folga" da unidade de saúde para passar as festas de Natal e réveillon ao lado da mãe, na capital paulista. No dia 27 de janeiro, veio a boa notícia da alta médica. Agora, a fase ainda é de atenção e dependerá muito da supervisão familiar. Aline está confiante de que Petrópolis lhe fará bem.
"Vou morar com meus dois irmãos, meu padrasto, minha mãe, minha filha e meus sobrinhos. Estou muito esperançosa no progresso da minha saúde. Quero agora estudar gastronomia e abrir o meu próprio restaurante. Também pretendo ajudar outras pessoas que passam pela mesma doença que eu tive. Quero que elas saibam que é possível superar e dar a volta por cima", enfatizou.
Aline: 'Deixo metade do meu coração em Bauru'
Entenda o caso 
A primeira crise de anorexia de Aline durou dos 13 aos 17 anos de idade. Segundo ela, no tempo de escola, os alunos a chamavam de gorda. Apesar de mostrar sintomas de anorexia, a ex-gerente se casou no fim da adolescência e pouco depois teve sua filha.
A segunda crise da doença foi mais grave e ocorreu há pouco mais de 3 anos, após Aline ter sido demitida do emprego em um restaurante e se separado do marido. A perda drástica de peso e a vergonha com a aparência a impediam de sair do apartamento.
Antes do tratamento, a alimentação de Aline era praticamente à base de água. Além disso, segundo os médicos, o risco de morte em decorrência do grau de fraqueza chegou a 40%, já que os rins dela também estavam fragilizados.
Médico psquiatra diz que ela corre risco de morrer de até 40%