No CE já não há mais água para aumentar a produção agrícola

Secretário de Recursos Hídricos do Estado, César Pinheiro, garante que não haverá racionamento neste ano
Os produtores agropecuários já não contam com água para a ampliação de sua produção no Estado, situação motivada pelo agravamento da seca. A realidade, apontada pelo presidente do Instituto Frutal, Euvaldo Bringel, é, contudo, menos grave que a de outros estados nordestinos, onde produtores já estão tendo que diminuir a produção pela redução na oferta hídrica.

O volume hídrico nas bacias hidrográficas cearenses é hoje de apenas 43,8%, com 7,9 bilhões de metros cúbicos, do total de 18 bi de capacidade FOTO: DIVULGAÇÃO
O secretário de Recursos Hídricos do Estado, César Pinheiro, entretanto, garante que não haverá, neste ano, racionamento de água para a atual produção no Ceará. O volume hídrico hoje, nas bacias hidrográficas cearenses, está em apenas 43,8%. Ou seja, dos 18 bilhões de metros cúbicos de capacidade de armazenamento, o Estado conta com 7,9 bilhões. 

"Nós já estamos em situação de alerta", declarou ontem, o diretor de Planejamento da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio Farias, em encontro que reuniu diversas lideranças ligadas ao setor hídrico no Estado, na Fiec. Dos 139 reservatórios monitorados pela Cogerh, 51 estão em situação crítica (de 10% a 30% da capacidade) e 37 em alerta (30% a 50%).

Racionamento preocupa
De acordo com Euvaldo Bringel, pequenos produtores fora das áreas irrigadas já reduzem sua produção, e a preocupação é de que haja o racionamento da água a produção em geral, o que pode acarretar em elevação ainda maior dos preços dos alimentos. Quando a água dos reservatórios não é suficiente para cumprir todas as suas funções, há, por lei, obrigação de realizar o racionamento para a atividade produtiva, garantindo a água para consumo humano.

"Mesmo com esta situação, neste ano, eu não acredito que vá acontecer racionamento. Nós estamos fazendo todas as simulações. A Cogerh, com a Cagece, tem feito um estudo de cada barragem, de cada bacia e, com isso, nós estamos fazendo todas as simulações. Espero que não tenha nenhum problema", afirmou o secretário César Pinheiro.

Mas, o prognóstico para o Ceará não é nada animador, declarou o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Eduardo Sávio Martins, também presente no encontro.

"O aquecimento e a variabilidade da precipitação devem continuar. O próximo trimestre também terá chuvas abaixo da média. Está havendo um aumento no período seco, e isso não é uma previsão, é uma tendência", diz.

O secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Francisco José Teixeira, afirmou que o Ceará é o Estado que mais investiu em infraestrutura hídrica no Nordeste e, por isso, está em uma situação menos grave.

Risco para 2014
"O Eixão das Águas é que está evitando que Fortaleza entre em colapso", declarou. Desde o ano passado, a Capital cearense está recebendo água do Castanhão, por meio do projeto do Eixão, e está mantendo os reservatórios em 30% por conta disso. Entretanto, mesmo reforçando que não há perspectivas de que o Ceará enfrente racionamento, ele admite que a tendência é que a vulnerabilidade aumente, já que a seca deve se prolongar. Prolongando-se a estiagem até o ano que vem, talvez não seja possível fazer a mesma garantia.

Caráter emergencial
Ontem, Euvaldo Bringel apresentou um documento, assinado por diversas entidades, onde solicita ao governo federal que as obras da transposição seja consideradas emergenciais. Durante debate, ele questionou como é possível brigar para que o pleito seja atendido, e foi sugerido que o documento seja levado também ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Apressar chegada do São Francisco é a meta
O Ministério da Integração analisa a possibilidade de encurtar o prazo para a chegada das águas do Rio São Francisco no Ceará. A previsão até então existente é de que, até o fim de 2014, as águas do Velho Chico, vindas de Cabrobó, em Pernambuco, cheguem no reservatório de Jati, no sul do Ceará, de onde serão distribuídas ao Estado.

Segundo secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Francisco José Teixeira, há dificuldades na concretização de um adiantamento, mas a possibilidade de realizá-lo vem sendo estudada.

Este trecho, chamado de Meta 1-Norte pelo ministério, hoje conta com 33% de obras realizadas. "Queremos encurtar esse prazo, mas isso pode, entre outras coisas, elevar preços, com horas extras, o que implicará em fazer aditivos, e hoje é muito complicado fazer aditivos nessa obra", apontou. O Rio São Francisco responde por 70% da disponibilidade hídrica do Nordeste. Iniciada em 2007, a transposição conta com 43% das obras concluídas, 33,3% em execução e 23,7% remanescentes. O trecho que inclui o Ceará, chamado de Meta 2-Norte, é previsto para 2015. (SS)

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